Quando uma doença impede alguém de trabalhar, o auxílio-doença do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pode ser um suporte essencial. Mas e se a pessoa tiver várias doenças ao mesmo tempo, como asma e ansiedade? Esse cenário torna tudo mais complicado, porque o INSS precisa entender como essas condições se juntam para afetar a vida dela. Neste artigo, vamos explicar de maneira fácil e direta como o INSS trata esses pedidos com múltiplas CIDs – códigos usados para identificar doenças – e por que o diagnóstico pode ser um quebra-cabeça.
Para quem não está acostumado com leis ou termos médicos, esse assunto pode parecer um mistério. Vamos simplificar tudo com exemplos reais e uma linguagem clara, para você compreender como o INSS decide nesses casos. Se você está lidando com várias doenças ou conhece alguém nessa situação, siga conosco para entender seus direitos e os próximos passos.
O que é o Auxílio-Doença e a Função da CID?
O auxílio-doença é um valor pago mensalmente pelo INSS a quem fica temporariamente sem condições de trabalhar por causa de um problema de saúde. Ele funciona como uma ajuda financeira durante a recuperação, seja por uma lesão ou uma doença que exige descanso. Oficialmente, hoje se chama “benefício por incapacidade temporária”, mas o nome “auxílio-doença” ainda é mais popular, e vamos usá-lo aqui para facilitar.
A CID, ou Classificação Internacional de Doenças, é um sistema de códigos que os médicos usam para nomear cada condição. Por exemplo, “J45” representa asma, e “F41” é ansiedade. Ao pedir o auxílio-doença, você precisa mostrar ao INSS qual é a CID do seu problema para justificar o afastamento. Imagine a Carla, uma balconista com tendinite (CID “M77”). Ela ficou 40 dias sem mexer o braço e conseguiu o benefício. Mas quando há mais de uma CID, o INSS tem que analisar tudo junto, o que exige mais cuidado.
O INSS não se prende só ao código. Eles querem saber como essas doenças, sozinhas ou combinadas, te tiram do trabalho por um tempo.
O que Significa Ter Múltiplas CIDs?
Ter múltiplas CIDs é quando uma pessoa é diagnosticada com mais de uma doença ao mesmo tempo, cada uma com seu código específico na Classificação Internacional de Doenças. Isso acontece bastante, principalmente com quem já lida com condições crônicas ou passa por fases difíceis. Essas doenças podem ter relação entre si ou não, mas juntas mudam a rotina da pessoa.
Pense no Rafael, um motorista com gastrite (CID “K29”) e lombalgia (CID “M54”). A gastrite dá azia e mal-estar, enquanto a dor nas costas dificulta ficar sentado por horas. Separadamente, ele talvez aguentasse dirigir, mas as duas juntas o deixam sem condições de trabalhar. O INSS chama isso de “comorbidades” – problemas de saúde que se somam e agravam o estado geral.
Ter várias CIDs não é passe livre para o benefício. O INSS avalia como tudo isso te afeta no dia a dia, e é aí que o diagnóstico fica mais trabalhoso.
Como o INSS Examina Casos com Várias CIDs?
Quando o pedido de auxílio-doença envolve mais de uma doença, o INSS não olha cada CID sozinha. Eles analisam o “estado de saúde completo”, ou seja, como o conjunto dessas condições impede você de trabalhar. Um médico perito do INSS revisa seus documentos, te examina e decide se a incapacidade temporária é real.
Por exemplo, a Daniela, uma secretária, tem asma (CID “J45”) e enxaqueca (CID “G43”). A asma causa falta de ar, e a enxaqueca traz dores fortes. Sozinhas, ela talvez continuasse no escritório, mas juntas, a falta de ar e a dor a derrubam. O perito viu isso e deu 45 dias de afastamento. O INSS não conta as doenças, mas o impacto total delas no seu serviço.
Essa análise é mais delicada do que num caso simples, porque o perito precisa entender se uma condição piora a outra ou se o efeito combinado é o que te para.
Por que o Diagnóstico é Mais Difícil com Várias Doenças?
Definir incapacidade em quem tem múltiplas CIDs é um desafio porque os sintomas podem se sobrepor ou confundir. Uma doença pode intensificar outra, ou o remédio para uma pode atrapalhar o resto. Isso pede um olhar mais atento do médico e do INSS para evitar erros na decisão.
Considere o Fábio, um vendedor com ansiedade (CID “F41”) e hérnia de disco (CID “M51”). A ansiedade deixa ele agitado e sem foco, enquanto a hérnia causa dor ao carregar peso. Juntas, ele não consegue atender clientes nem fazer entregas. Mas o perito precisa descobrir: é mais a ansiedade ou a dor? Às vezes, até os médicos particulares não entram em acordo, o que torna a perícia do INSS mais complicada.
Essa dificuldade pode levar a decisões equivocadas, como negar o pedido ou dar um tempo de benefício menor do que o necessário.
O que o INSS Exige para Aprovar com Múltiplas CIDs?
Os requisitos para o auxílio-doença são os mesmos, mas com várias doenças, provar a incapacidade ganha mais peso. Vamos detalhar cada um com exemplos.
1. Estar no sistema do INSS: Você precisa contribuir ou estar no “período de graça” (até um ano após parar de pagar). A Vanessa, uma autônoma com gastrite (CID “K29”) e depressão (CID “F32”), pagava o INSS e manteve o direito ao pedir.
2. Tempo mínimo de 12 meses: São necessários 12 meses de contribuições, mas doenças graves (como câncer, CID “C50”) dispensam isso. O André, com quatro meses de INSS, tinha malária (CID “B50”) e anemia (CID “D64”). A malária abriu exceção à carência.
3. Provar incapacidade: O INSS quer ver que você não pode trabalhar por mais de 15 dias por causa do conjunto das doenças. A Larissa, uma recepcionista com hipertensão (CID “I10”) e labirintite (CID “H81”), mostrou que as tonturas e o cansaço a paravam, ganhando 60 dias.
Com várias CIDs, os laudos precisam explicar como tudo se junta para te afastar do trabalho.
A Importância da Perícia Médica
A perícia médica é o coração do processo. O perito do INSS te avalia, lê seus relatórios e pergunta sobre seu dia a dia para ver como as doenças múltiplas te afetam. Ele não julga só os sintomas, mas se eles, somados, te deixam fora do serviço por um tempo.
O caso da Patrícia, uma costureira com diabetes (CID “E11”) e artrose (CID “M17”), é um exemplo. O diabetes a deixa cansada, e a artrose trava as mãos. O perito perguntou como ela costurava e deu 90 dias de repouso. Desde a pandemia, o INSS também aceita análise só por documentos em alguns casos, enviados pelo Meu INSS, mas só para afastamentos de até 120 dias.
Com várias CIDs, o perito pode começar com um prazo curto e pedir nova avaliação, porque o efeito total pode demorar a ficar claro.
Como Fazer o Pedido ao INSS
Se você tem várias doenças e quer o auxílio-doença, o processo é padrão, mas exige capricho nos detalhes. Confira como agir.
1. Organize os papéis: Pegue identidade, CPF, carteira de trabalho e todos os documentos médicos – exames, atestados e laudos com as CIDs e os efeitos delas.
2. Entre no Meu INSS: Use o site (meuinss.gov.br) ou aplicativo com CPF e senha gov.br. Clique em “Novo Pedido” e selecione “Benefício por Incapacidade Temporária”.
3. Mande os arquivos: Digitalize tudo em PDF e envie. Se for análise documental, aguarde. Se precisar de perícia, o INSS marca o dia.
4. Siga o andamento: Veja em “Consultar Pedidos” no Meu INSS. O resultado sai após a perícia (após 21h) ou pelo 135.
5. Receba o dinheiro: Se aprovado, cai em até 45 dias. Antes do dia 20, paga no próximo mês; depois, no outro.
O Gustavo, com ansiedade (CID “F41”) e gastrite (CID “K29”), juntou os exames, pediu online e, após perícia, recebeu por 45 dias.
O que Fazer se o INSS Dizer Não?
O INSS pode negar o pedido se o perito achar que as doenças juntas não te incapacitam o suficiente. Mas há como reagir.
Recurso: Você tem 30 dias após a negativa para recorrer pelo Meu INSS, na aba “Recurso”. Adicione mais provas. A Marina, com asma (CID “J45”) e enxaqueca (CID “G43”), foi negada, mas conseguiu com um laudo novo.
Justiça: Se o recurso falhar, busque um advogado e entre com uma ação. Juízes podem mandar o INSS pagar. O Thiago, com diabetes (CID “E11”) e depressão (CID “F32”), venceu na Justiça após rejeições.
Aja rápido e reforce os papéis. Um advogado especialista pode ser um grande apoio.
Qual o Valor e a Duração?
O valor do auxílio-doença vem dos salários que você declarou ao INSS. Eles fazem a média desde 1994 (ou do início) e pagam 91% disso, entre o mínimo (R$ 1.412 em 2025) e o teto (R$ 7.786,02 em 2025).
A Helena, uma autônoma com lombalgia (CID “M54”) e hipertensão (CID “I10”), contribuía com R$ 1.900. A média deu R$ 1.700, e ela recebeu R$ 1.547 por mês. A duração depende do perito: pode ser 30 dias, 60 dias ou mais. Para estender, peça prorrogação nos últimos 15 dias com novos exames.
Perguntas e Respostas
1. Mais CIDs ajudam a aprovar o pedido?
Não necessariamente. O INSS avalia o efeito conjunto, não o número.
2. Cada CID precisa de um documento separado?
Não, mas os laudos devem mostrar como todas juntas te afetam.
3. O INSS pode negar com várias doenças?
Sim, se o perito achar que você ainda consegue trabalhar.
4. Demora quanto para receber?
Até 45 dias após aprovação. Antes do dia 20, paga no próximo mês; depois, no seguinte.
5. Dá para pedir mais tempo?
Sim, peça prorrogação nos últimos 15 dias com novos documentos.
Conclusão
Pedir auxílio-doença com várias CIDs é mais desafiador porque o INSS precisa analisar como todas essas condições te afastam do trabalho. A perícia é o ponto-chave, e documentos bem feitos são cruciais para provar sua situação. Se você tem múltiplas doenças atrapalhando sua vida, organize os exames e faça o pedido pelo Meu INSS. Se houver negativa, lute com recurso ou na Justiça – seus direitos estão aí para serem defendidos.
Entender esse caminho te dá mais força para enfrentar um período difícil. Várias doenças juntas complicam tudo, mas o INSS pode te ajudar. Se precisar, o telefone 135 ou um advogado estão ao seu alcance. Não desista do que é seu por direito!